Falando em eleições e no poder da internet…

By Renan

O TSE não sabe, mas…

Os bons ministros do TSE tupinambá devem achar que Internet é só uma coisa a mais em eleição. Assim como tevê. Ou jornal. Nem desconfiam que, na comunicação em rede, o candidato azarão pode se fazer favorito; que uma eleição pode ser virada.

Os sul-coreanos, sabem.

Pois foi que, quando em 1997 veio a Crise Asiática arrastando consigo os Tigres, ficou todo mundo mal. Para resolver a bagunça e estimular a economia, o governo em Seul decidiu investir pesadamente em algumas áreas que consideraram essenciais. Telecomunicações, por exemplo. E foi tanto dinheiro sobrando que as telecoms, além de contratar muita gente, traçou todo o país com banda larga. Em 97, 98, isso era luxo em todo mundo. Na Coréia do Sul era cotidiano.

Em 2002, Roh Moo Hyun era um candidato diferente. Não tinha a mínima chance de ser eleito. Mas, ativista, entrou no pleito só para dizer algumas coisas que achava importantes. Ao seu lado, contou com um movimento que começava a se fazer presente: os netizens, cidadãos que se manifestavam na Internet em fóruns de discussão que, lá, a turma chama de Ágora. Como a praça grega.

Só se discutia Roh na Internet. Em toda parte. A imprensa tradicional começou a fazer editoriais contra ele. Os sul-coreanos mais velhos que não eram tão embrenhados na Internet foram para a rede guiados por seus filhos para saber sobre quem era esse estranho de quem tanto falavam. Mais a imprensa batia, mais gente falava mal da imprensa na rede e melhor de Roh.

Entrou azarão. Em 2003, assumiu o cargo de presidente.

Do blog do Pedro Dória.

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